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quarta-feira, 29 de março de 2017

Poema para mim mesmo


Escreve seus rumos
com a tinta e a poeira dos dias,
suas palavras
são pequenos passos na caminhada do tempo
Seus silêncios vêm do mar, dele
recebe também seu sentido e segue
sendo
viajante e caminho.

Em algum momento
uma nova estrada o chamará novamente
e todas as montanhas, todas
as praias, todas as ruas serão em seus olhos 
mais serenos.

Talvez compreenda
o que agora não alcança
em seu pequeno entendimento
Quem sabe 
alguns de seus poemas
ficarão em alguém por mais um tempo ainda
depois que suas mãos escreverem 
outros silêncios na terra
mais plenos e
integrados a todos os seres

Talvez seus pensamentos
sejam ainda uma vez 
um voo livre na imensidão dos ventos
como um olhar do alto de uma montanha ou 
dentro do mar 

que tanto atrai seu existir 
seu fôlego seu movimento

Que o seu último poema
aconteça da forma mais simples
como um leve sol varando a madrugada
Que ele seja
um silencio pacificado
perante tudo aquilo que não compreende
um instante antes
de irmanar-se inteiramente
ao tempo

sexta-feira, 10 de março de 2017





Semillas del sol

Lanza sus semillas en el sol,
sus ojos al mundo
como los que llegan todos los días
por primera vez en este lugar ...


Aquí está su camino, aquí
es tu voz
tejiendo no sólo palabras...
pero horizontes
y ríos
le llevarán a su silencio,
el silencio de todas las cosas
hermanada en su nombre.


Una hora sus propios gestos
 te enseñarán el tiempo
y ya serás más libre
y ya serás más simples
mucho más que sus años
 imaginaron.


Lanza tu corazón en el camino
y cosecha el curso
con las manos saludables,
pues ellas es que sembrarán 
su mundo

sexta-feira, 13 de março de 2015

Barco Santiago

Às vezes
meu silencio senta na ponta do cais de madeira
e fica tecendo palavras e redes de lembranças
como se tecesse o tempo...
Despreocupadamente
escrevo nomes nas águas
e rebatizo os barcos
e de cada estrela
desce um fio invisível que pesca um poema.
Não te disse nunca?!
Meu olhar tem dedos, de vento, de chuva, de claridade
e de momentos indizíveis
nasce este momento.
Às vezes
um barco esquece de voltar
uma estrela esquece de acordar
e vem à tona na noite esta ilha que é este poema.
Espero em paz
sem saber o que espero
sem medo, apenas quero, apenas, olhar assim
o mar,
o mar em tudo o que vejo!!
Um barco chamado Santiago, no vento
navega
entre estrelas e montanhas,
tem a cor das alvoradas e tem remos
de nuvens, enquanto navega, esculpe
nas águas e no tempo
temporários rumos de palavras e silêncios.
O mar é tudo o que eu vejo!!




segunda-feira, 26 de maio de 2014

Enquanto caminhas para o mar...

Há uma leve lenta chuva em teus olhos noturnos

finíssima cortina de água sob a luz mortiça das ruas,
ruas caminhadas lentamente dentro de horas silenciosas
em que tua cidade dorme e teus olhos
sonham...
As janelas fechadas não vêem a noite
quieta e suave, pousada sobre o mundo
a noite é um denso véu de nuvens escondendo estrelas
que teus olhos avistam mesmo assim
enquanto caminhas,
enquanto caminhas, flores serenas e anônimas
vertem aromas buscados em teus cabelos,
em teus sorrisos que são paisagens de paz
os dias tecem as cores novas da aurora
e tua pele inaugura praias morenas num verão
que nunca cessa.
As ruas se entrelaçam no tempo
e te levam, mãos dadas ao vento peregrino das madrugadas,
por lugares serenizados e indeléveis
como a lembrança do mar dançando em teus tornozelos
sob a infinita lua dos teus silêncios.
Há uma palavra desenhando momentos
em teu olhar, colorindo teus movimentos,
as gotas de chuva são pétalas minúsculas
acariciando a maciez do teu rosto
enquanto caminhas dentro dessa noite funda
e povoada de mistérios
teu coração é uma canção no vento

viajando para o mar...

terça-feira, 13 de novembro de 2012


         
          Começou com um vento que ninguém sabia vinha de onde. Vento frio, como se 
fosse de agosto , mas era já setembro, e já era primavera. Era como se o inverno 
tivesse esquecido algo pelo caminho e com longos braços de vento, procurasse. A 
chuva vinha em cortinas intermitentes, primeiro, sobre o mar apenas, sem nenhum 
barco, as ilhas apareciam e sumiam, as ondas revoluteavam, dir-se-ia que até as almas 
dos afogados debandavam-se assustadas em busca de alguma praia segura, o céu 
pesou como se de chumbo fosse. As árvores dobravam-se para um lado e quando iam 
já se acostumando, o vento mudava e lá se iam, de novo as árvores para outro lado. 
Algumas pipas perdidas, voavam, que o gosto dos meninos em dias de vento forte é 
empiná-las, mas o gosto das pipas é estourar a linha, e voarem livres no espaço. Mas 
logo não havia mais, nem pipas nem meninos, estes, recolhidos às casas, aquelas, 
ninguém sabe... As ruas de terra varridas, vazios os bancos das praças, folhas de 
jornais passaram apressadas e sumiram detrás das casas, sem deixar notícias. Via-se 
apenas, na longa tarde, um caminhante solitário cruzar a ponte distante, deixando a 
cidade, depois, nada mais se via, silêncio, talvez saudade. A chuva então, apagou a 
cidade...

sábado, 10 de novembro de 2012


Como se fossem asas...

Ruas de palavras

perambuladas pelo tempo

pontes de silêncios

atravessadas com paciência e chuva,

a longa chuva de pensamentos

leves

semeando os gestos

Desamarrar momentos

como se espalhasse borboletas

ou se libertasse pássaros.

domingo, 28 de outubro de 2012


                                                            
                                                                   Que o teu menino...

Que o teu menino seja feito de mar

e de rios e

das sombras e luzes do amanhecer

que ele tenha nos olhos montanhas, cachoeiras

silêncios e caminhos que só dele serão

que só ele andará, que só ele

aprenderá a amar...

Que o teu menino seja feito de sol e de lua e

do momento que existe entre eles, que só ele

saberá, à sua maneira...

Que o teu menino tenha palavras de oceano e

quietudes de alturas

que só ele alcançará...

Que o teu menino seja feito de asas de pássaros e

do calor de ninhos

para que ele possa voar por lugares

que só ele conhecerá, mas que possa voltar

para casa

quando quiser ou precisar...

Que essa casa seja sempre os olhos

de quem o amar...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012



No meio do mundo

Com um grande guarda-chuva furado

no meio da chuva de palavras

ando pelo meio da rua do tempo

na outra mão trago meu nome:

vento misturado a mais vento;

água vertendo mais água...

O que eu sei não tem casa.

Rolando no tapete azul das manhãs:

novelos de estradas.

Com um lápis apenas

com um lápis  e mais nada

faço uma balsa ou uma ponte

e realizo a travessia, a longa travessia

entre a noite profunda que engole o mundo

e transcendente alvorada.







domingo, 23 de setembro de 2012





História

Um  livro achado numa praia

enquanto o sol ainda

não dizia

a cor das coisas que nem existiam

Um grande livro que se lia

ao mesmo tempo

em que se escrevia

e cada página era um dia...

domingo, 5 de agosto de 2012




Semear presenças


Eu semeei teu nome
entre as ilhas de estrelas
e a poeira de luz que escorreu dos meus dedos
silenciosamente
teceu o amanhecer sobre o mar
nesse momento
As gotas de luar
que pingaram dos teus cabelos
ao tocarem a terra foram virando rios
foram virando conchas foram virando
cachoeiras e
por te olhar assim
suavemente nas cores
irrepetíveis do poente
dançando com teus movimentos plenamente
vento, inteiramente dentro
do manancial de todos os movimentos
eu não soube jamais dizer
se eras pétala de estrela
a viajar no tempo ou se eras
estrela dançarina a despetalar-se ao vento
ou se eras o próprio vento.